12/02/2008

Desfile da Unidos de Vila Maria

Hello, pessoal! Depois de muito tempo afastado do blog... Enfim retorno! Agora sim, FORMADO e renovado com o ano que inicia (sim, porque aqui no nosso país, como já diz o velho ditado, "só começa o ano novo depois do carnaval)! Enfim, o Ano do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil! Tema esse, inclusive, que foi abordado de maneira belíssima no carnaval de São Paulo pela Unidos de Vila Maria, agremiação que ficou em 3º lugar geral com o encantador desfile ocorrido neste ano, e do qual vou discorrer um pouco nesse post. Sim! Apesar de não gostar de carnaval, fui movido pela curiosidade em saber como este tema tão presente na vida de todos nós do blog (da Vi e do Chris, né ^^) seria abordado por uma escola de samba. Confesso que o desfile me surpreendeu. Com o enredo "Irashai-mase, milênios de cultura e sabedoria no centenário da imigração japonesa", a escola abriu o desfile com uma comissão de frente fabulosa, com uma dança com leques muito bacana e roupas e maquiagens inspiradas no teatro Kabuki. Logo atrás, vinha o carro abre-alas, com um imenso torii (portal de templos xintoístas). O desfile prosseguiu com extrema beleza, em que cada ala tratava muito bem dos imigrantes japoneses: a relação com a agricultura do café e algodão; os anos em que foram perseguidos pelo governo brasileiro, por causa da 2ª Guerra Mundial; os dekasseguis, que fazem o caminho inverso dos ancestrais. A ala das baianas foi outro ponto que chamou bastante atenção. Assim como várias outras alas, a roupa foi constituída de tecidos vindos do Japão. Mas a ala das baianas (que, quem olha de fora, só vê elas rodando de um lado pro outro) tinha um outro acessório que as destacou bastante: as sombrinhas de bambu. Um artigo que deu uma nova dinâmica à essa ala, para mim uma das mais bonitas de todo o desfile. Outro detalhe muito legal do desfile foram os adereços utilizados pelas alas. As fantasias não tinham aquelas penachos gigantescos de aves de não-sei-lá-de-onde... Praticamente TODAS utilizavam estandartes (que lembram aqueles muito vistos em apresentações de teatro e dança tradicional, ou em filmes que falam de guerras da época), o que, aliás, foi outro diferencial da Vila Maria. A bateria também veio com ótimos requintes. Pra começar, a madrinha da bateria era japonesa, a lindíssima Yuka-chan, que começou o desfile vestida num elegante yukata, retirado do corpo da bela assim que a bateria entrou no recuo. A bateria, aliás, que, vista de cima, formava a bandeira do Japão (dada a formação dos integrantes de branco e vermelho, em que os primeiros circundavam os últimos). A entrada e a saída da bateria do recuo foram fenomenais: parecia que a bandeira estava sendo agitada pelo samba! Foi interessante todo o cuidado que a escola teve com detalhes.. Os próprios fiscais de evolução da escola (que comandam o andamento do desfile) estavam vestidos de happi! Os carros alegóricos, além de imensos, eram muito bonitos e sempre tinham bastantes elementos da cultura japonesa (não como em outros desfiles, que vinham de brinde algumas coisas da cultura chinesa...¬¬) O terceiro lugar no carnaval paulista se deveu a uma nota ruim no quesito "Mestre-sala e porta-bandeira", que, para mim, realmente foi um ponto que destoou. Não pela harmonia do casal, mas pelas fantasias em si... Mas, de qualquer forma, foi muito importante a atenção dada pela Vila Maria nesse tema, uma vez que, para quem é filho ou neto de imigrantes japoneses, tudo o que é retratado nessas festividades do Centenário também são uma parte da história de cada uma de nossas famílias. Vila Maria, NOTA 10! E segue o samba-enredo na íntegra:
Estrelas vão brilhar
Vila Maria vai passar
Irashai-Mase a este povo do Oriente  
Da terra do sol nascente

Abrem-se os portais
Das tradições, de uma cultura milenar...
Preservam seu jardim oriental e a arte de cultivar
Na religião, celebração, a cerimônia do chá
No Ocidente se tornou realidade
A conquista do tratado da amizade
E com a honra de um samurai guerreiro
Cruzou os mares rumo ao solo brasileiro

Pra massa toda aplaudir
A bateria ta aí... Vem ver                          
      
E vamos comemorar
O centenário brindar... Saquê

Em sua criação, gentileza tem rosto de mulher
Símbolos da sorte que anunciam devoção e muita fé
O shodô não se apagou!
A arte deu movimento à vida!
No plantio do algodão, ô terra boa que se planta dá
Na culinária, requinte em nossa mesa
Pratos com toque de beleza
A evolução da tecnologia
Dá asas a imaginação, presente em nosso dia-a-dia
Com a imigração, somos filhos de uma só nação
Arigatô a essa parceria
Brasil, Japão que alegria..

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